quinta-feira, 22 de março de 2012

à noite, deitada na cama

E quando não sei falar sobre o que sinto escrevo, escrevo para me sentir bem por dentro, livre, sem mágoas ou rancores, porque sei que ao escrever me liberto, porque sei que sou a única que posso olhar, reler isto mil e uma vezes, porque serei a única que irei compreender, que irei sentir, que irei ver de perto um mar de dúvidas sem fim, onde por vezes eu apenas me apetece mandar de cabeça e afogar-me nas minhas próprias palavras duras e cruéis. Sei que serei a única a aguentar o meu choro de pranto, e a primeira a respirar fundo quando deveria gritar. Só, solidão, ao pensar nisto as palavras começam-me a assustar ada vez mais, e as lágrimas querem cair pelo meu rosto, mas eu prometi ser forte, eu prometi não cair mais e resistir a qualquer embate que ocorresse, mas eu por vezes também perco a força e mais uma vez as lágrimas insistem em cair. A noite hoje cai sobre mim dura e amargurada como se o meu coração fosse dar um grito enorme que todo o oceano pudesse ouvir. As lágrimas já escorrem pelo meu rosto, talvez seja a hora de eu assentar os pés na terra e deixar de sonhar com alguém que queria cuidar deste pobre coração amargurado, ferido, revoltado e massacrado, com tantas perguntas sem resposta, dito isto, um turbilhão de lágrimas derramaram-me pela face. Eu acho que não aguento mais, não consigo enfrentar os meus medos, ou talvez erros, sozinha, ou pensei que não conseguisse, porque foi sempre assim, eu sempre os tive que os encarar sozinha, com um sorriso nos lábios e uma palavra de ânimo. Agora que pensava ter-me encontrado, perdi-me de novo, talvez tenha sido cautelosa demais, ou talvez o meu coração apenas se tenha confortado com algo que lhe fez tão bem nos últimos tempos; o sorriso, a alegria, o palpitar de cada segundo, horas, minutos, apenas para receber um simples "como correu o teu dia?". É irónico como a vida nos mata a nós próprios, é irónico como nos matamos a nós mesmos, e eu mato-me a mim, a cada dia, cada dia que tento fugir aos sentimentos. É por isso que em vez de falar, escrevo.

8 comentários:

Pérola disse...

Escrever pode ser muito libertador. Ainda bem que o exercitas. mas, nunca,mesmo nunca, te deixes morrer, seja de que forma for. És demasiado preciosa para o deixares acontecer. Tens de ser a tua melhor amiga e amares-te muito para poderes amar os outros. Sente a vida que te chama, não rejeites os presentes que ela te oferece.

nicolemorais disse...

que texto!

Ana Margarida disse...

"É irónico como a vida nos mata a nós próprios, é irónico como nos matamos a nós mesmos, e eu mato-me a mim, a cada dia, cada dia que tento fugir aos sentimentos. " TÃO VERDADE.

Raquel disse...

Acredita que é, mas também gosto muito desta que tenho agora* :)
e força..

Liv. disse...

é mesmo *.*
"E quando não sei falar sobre o que sinto escrevo, escrevo para me sentir bem por dentro, livre, sem mágoas ou rancores, porque sei que ao escrever me liberto, porque sei que sou a única que posso olhar, reler isto mil e uma vezes, porque serei a única que irei compreender, que irei sentir, que irei ver de perto um mar de dúvidas sem fim, onde por vezes eu apenas me apetece mandar de cabeça e afogar-me nas minhas próprias palavras duras e cruéis." identifico-me bastante com o texto.

Jace disse...

por vezes a saudades até doí demais :s
em relação ao teu post compreendo-te perfeitamente...:s

Aurora disse...

voltei princesa<3

Marta Duarte disse...

grande texto querida mel